SIGO: projeto da UFG e Detran-GO integra dados e fortalece políticas públicas para redução de acidentes em Goiás
Texto: Edilene Aguiais
Fotos: Diorgenes dos Santos
No dia 25 de março, a Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), tem liderado uma iniciativa inédita para aprimorar a gestão de dados sobre acidentes de trânsito no estado. Trata-se do Sistema Integrado de Ocorrências de Trânsito de Goiás (SIGO), projeto que busca integrar diferentes bases de dados para oferecer um diagnóstico mais preciso da violência viária.

A proposta reúne informações de diversas instituições, incluindo forças de segurança pública — como Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Técnico-Científica —, além de dados da saúde, provenientes do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), bem como registros da Secretaria Municipal de Trânsito, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e da Polícia Rodoviária Federal.
Os primeiros resultados do SIGO já apontam para um novo cenário da violência no trânsito em Goiás. Levantamento inicial indica concentração significativa de ocorrências em áreas específicas, além de evidências de subnotificação de mortes. As rodovias BR-153 e BR-060 concentram 54,1% dos casos registrados, destacando a necessidade de intervenções direcionadas em infraestrutura, monitoramento e ações de prevenção.

Segundo o presidente do Detran-GO, Delegado Waldir, a ausência de integração entre os sistemas dificultava a compreensão real do problema. Com a consolidação das informações, passa a ser possível avançar na formulação de políticas públicas mais eficazes, direcionando esforços para regiões com maior incidência de acidentes e ampliando o potencial de salvar vidas.
Durante a apresentação do projeto, o professor Marcos Paulino Roriz detalhou as etapas de desenvolvimento do SIGO e chamou atenção para a necessidade de aprimorar o registro de ocorrências do SAMU, atualmente majoritariamente manual. Como solução, propôs a criação de um aplicativo para digitalização desses atendimentos em tempo real, o que permitirá uma análise mais precisa e abrangente dos dados.
A coordenadora do projeto pela UFG, Poliana Leite, destaca que o cruzamento inicial das bases já revelou falhas importantes, como subnotificação de casos e registros duplicados. Segundo ela, esse diagnóstico permite aprimorar os processos de coleta e organização das informações, resultando em dados mais confiáveis e úteis para a tomada de decisão. A pesquisadora também ressalta que experiências internacionais demonstram que sistemas integrados são fundamentais para a redução de mortes no trânsito.

Poliana Leite também ressalta que a experiência internacional reforça a importância de sistemas integrados. Países que conseguiram reduzir significativamente as mortes no trânsito adotaram plataformas unificadas de informação, capazes de orientar políticas públicas com base em dados consistentes.
A expectativa é que, com a consolidação dessas bases no Brasil, gestores públicos tenham mais subsídios para planejar e implementar ações eficazes na área de segurança viária, contribuindo para a redução de acidentes e mortes no trânsito.
O diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia, professor Tiago dos Santos Almeida comentou sobre a importância que este projeto tem para as políticas publicas do estado, pois traz a integração de diferentes instituições e contribui para uma busca pela assertividade do que acontece no trânsito no estado. É um projeto a coordenado por professores e técnicos administrativos da UFG, Iuri Brandão de Souza e Heron da Costa Pereira que fazem parte da construção desta ferramenta tecnológica. Agradeceu ao Detran pela oportunidade e confiança na condução deste projeto a FCT/UFG e finalizou dizendo que é sempre um misto de alegria e de muita responsabilidade conduzir um projeto desta magnitude.
Já o diretor de tecnologia do Detran-GO, Fabiano Bueno, enfatizou que dados mais precisos permitem intervenções mais eficientes. Segundo ele, a análise de padrões — como frequência de acidentes por dia e local — possibilita, por exemplo, o posicionamento estratégico de equipes de atendimento, reduzindo o tempo de resposta e evitando agravamentos.
Entre os avanços já alcançados, destaca-se o primeiro cruzamento entre dados de trânsito e saúde, permitindo identificar com maior precisão os óbitos decorrentes de acidentes. Para isso, foram desenvolvidas metodologias capazes de reconhecer registros semelhantes mesmo diante de inconsistências, como divergências em nomes e localização.
Apesar dos progressos, o projeto ainda enfrenta desafios, como a padronização de informações, correção de inconsistências e ampliação do acesso a dados sensíveis. A superação dessas barreiras depende da formalização de acordos de cooperação técnica entre as instituições envolvidas.
Como próximos passos, a equipe pretende expandir a base de dados, incluindo hospitais privados e registros mais amplos de ocorrências, além de promover encontros técnicos e workshops para fortalecer a integração entre os parceiros. A expectativa é que o SIGO se consolide como uma ferramenta estratégica para a formulação de políticas públicas mais eficazes, contribuindo diretamente para a redução de acidentes e mortes no trânsito em Goiás.